Adianta defender um diploma se ele pouco atesta? Seria mais importante um texto bem escrito, investigativo e opinativo de alguém com outra formação do que outro de um recém-formado em jornalismo que não tem uma visão crítica do mundo?
Nunca os jornalistas foram tão “desnecessários” em tempo de web 2.0, blogs e cidadãos-repórteres. O lado bom disso tudo é que acaba obrigando os jornalistas a lutarem pela legitimidade da profissão. Mas a discussão mais urgente e necessária é fazer uma avaliação, um debate sobre os cursos, faculdades de jornalismo. Trazer o debate sobre o papel desses cursos (seria investir na crítica ou na técnica?). E mais, priorizar a formação para o mercado ou apostar na formação humanista do jornalista, para que este o entenda e se posicione diante dele? E o mercado? É possível unir qualidade com rentabilidade? Ou será que apostará na reciclagem constante da sua equipe? (ou o pior, seria melhor contratar três estagiários a um profissional?)
Mas afinal, adianta defender um diploma se ele pouco atesta? Seria mais importante um texto bem escrito, investigativo e opinativo de alguém com outra formação do que outro de um recém-formado em jornalismo que não tem uma visão crítica do mundo? Existem muitos “técnicos” em jornalismo, que apenas cumprem as imposições das grandes instituições e pouco ousam, apenas se acomodam, simplesmente codificando a informação na técnica do texto jornalístico. Acredito que o jornalismo costumava ser mais do que isso…
“Depois de 70 anos da regulamentação da profissão e mais de 40 anos de criação dos Cursos de Jornalismo, derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso a um tempo em que o acesso ao exercício do Jornalismo dependia de relações de apadrinhamentos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social da mídia”, diz o manifesto da FENAJ.
Mas nessas discussões existe uma confusão desnecessária entre o poder da palavra e o poder do jornalismo. A liberdade de expressão é garantida pela constituição; não necessariamente isso significa que qualquer um pode fazer jornalismo. A mãe que coloca um “band-aid” no machucado do filho não é uma enfermeira.
E é isso, o fim da obrigatoriedade do diploma oficializa todas as práticas de caráter duvidoso na contratação dos jornalistas. E ser jornalista não é só a prática, envolve toda uma questão de preparo e de percepção social.
À quem interessar, aqui está o vídeo da campanha da Fenaj sobre a obrigatoriedade do diploma: